APG - Associação Portuguesa de Gagos

COLÓQUIO: "GAGUEZ, UM DESAFIO À COMUNICAÇÃO"

Comemorações do Dia Europeu da Terapia da Fala, 6 de Março de 2012 - Communication Is More Than Fluency

Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal

 

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GAGUEZ

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A gaguez pode manifestar-se através de sons e sílabas que não são finalizados e iniciados no tempo adequado, portanto a gaguez está ligada ao ritmo e ao tempo. É involuntária, ou seja, a criança não tem controlo total sobre sua fala, não sendo possível simplesmente optar por não gaguejar.

Os sinais abaixo são típicos da gaguez:

1)- Repetição na quantidade e na qualidade, repetição de sílabas, palavras e até mesmo frases.
Ex.º: "sa-sa-sapato", "te-te-telefone", "cama, cama…."

2)- Pausas. Intervalo colocado de forma inapropriada no decorrer de um discurso.

3)- Prolongamentos. Alongamentos de sons que tenha duração inapropriada.
Ex.º: "f::amília", "t::apete".

4)- Interjeições. Inserção no discurso de sons, como "ahhhh…..", "hummmm….", "deixa ver".

5)- Bloqueio. Interrupção brusca de uma palavra que vem acompanhada de algum esforço da voz, ou até mesmo corporal.

Na tentativa de contornar este problema, a criança pode recorrer a diversos truques:

• Substituições de palavras, reformulações de frases e circunlocuções (rodeios);
• Uso excessivo de marcadores discursivos ("então", "assim" e "ok");
• Modificações da respiração (fazer inspirações profundas antes de falar ou falar até o fim do ar);
• Modificações do tom de voz..

Mas afinal, a gaguez tem cura ou não?

Os resultados dependem, sem dúvida, da idade da criança ou da gravidade da gaguez. É claro, que quanto mais cedo se inicia o tratamento, mais eficaz será. Apesar de a gaguez ser um distúrbio de fluência, as consequências da gaguez reflectem-se para além da fala. A relação com os familiares, o convívio social, o desempenho escolar, o desempenho profissional e a saúde emocional podem ficar muito comprometidos devido à gaguez. Por isso, a gaguez é um problema sério que deve ser tratada por profissionais especializados (terapeutas da fala e psicólogos).

Se o seu filho gagueja há algum tempo e já se apercebeu, que ele sabe que gagueja, procure falar sobre o assunto com ele.

Por mais difícil que seja ouvir seu filho gaguejar, procure não lhe fornecer dicas e truques, como por exemplo: "fala mais devagar", "calma…", "pensa antes de falar, "respira fundo", "pára e começa de novo", "pára de gaguejar". A gaguez é involuntária. Portanto, a criança não tem controlo total sobre a sua fala. A criança não gagueja porque quer ou para chamar a atenção.

Procure não apressar a criança para falar, porque, desta forma, o seu filho começará a aprender o que se convencionou chamar de "pressão de tempo". A "pressão de tempo" é uma sensação subjectiva de que se deve iniciar, continuar e terminar a fala rapidamente. Quanto mais rapidamente o seu filho achar que deve falar, mais irá gaguejar.

Dê atenção quando seu filho demonstra que quer falar alguma coisa. Ouça o que ele tem para dizer e comente o que ele falou (e não como falou). Mostrando que ele consegue captar sua atenção, que você ouve o que ele diz,que você se interessa pelas suas opiniões, o seu filho vai aprender a ser assertivo. É muito importante mostrar ao seu filho que ele consegue transmitir o que quer através da fala.

Procure não interromper e não finalizar as frases da criança, por mais difícil que seja ouvi-lo gaguejar. Interromper ou finalizar as frases vai transmitir à criança, que a sua forma de falar não é aceite dentro da família, o que vai contribuir para aumentar o seu sofrimento. Além disso, a criança vai aprender que deve falar sem gaguejar se quiser ser ouvido, o que vai fazer com que ele tente controlar a fala, ele não vai conseguir, o que contribuirá para o aumento do seu sofrimento.

Não existem fórmulas mágicas no tratamento da gaguez. O tratamento envolve aceitação do problema, dedicação, tempo e persistência, não pode ser eliminada de um dia para o outro.

Disfluência Infantil: Do Senso Comum para o Bom Senso

Artigo de opinião 

Brito Largo (2011), Disfluência Infantil: do senso comum para o bom senso. Comunicativa, 3,4-7. 

As perturbações da fluência no discurso têm sido, ao longo dos séculos, um autêntico desafio para a humanidade. Na actualidade, mesmo com todos os grandes avanços científicos assentes na tentativa de tudo explicar, a disfluência, vulgo gaguez, parece resistir estoicamente a qualquer tentativa de explicação simples e concreta. São várias as áreas do conhecimento que se têm dedicado ao seu estudo e mesmo do ponto de vista terapêutico (Terapia da Fala) tudo o que se tem concebido e realizado vem reflectindo a inconsistência e heterogeneidade dessas tendências científicas. Uma das questões mais importantes do ponto de vista da terapêutica da fala parece centrar-se em alguma inconsistência conceptual relativa a esta patologia. Assim, é comum ainda emergir uma definição relativamente “mística”, próxima de uma lógica do senso comum, que põe a tónica nos aspectos mais salientes desta perturbação. Quase sempre de forma linear, a dificuldade é caracterizada pelo que é mais visível: dificuldades na produção do discurso caracterizadas por existência de repetições de fonemas, sílabas, partes de palavras, palavras e frases, com tensão muscular visível e dificuldades respiratórias associadas. Com estas características de referência e numa lógica de senso comum, qualquer “leigo” no assunto pode estabelecer o diagnóstico de gaguez. O terapeuta da fala parece ter, neste caso, o papel inglório de confirmar o que parece ser evidente para qualquer cidadão. Também a maior parte das pessoas consegue aperceber-se de alguns dos componentes emocionais associados às manifestações de disfluência.

As perturbações da fluência assumem, do ponto de vista dos sujeitos e dos terapeutas da fala, uma preocupação particularmente relevante quando surgem em fases precoces do desenvolvimento, nomeadamente na primeira infância. Sabe-se, neste caso e numa lógica de bom senso, que numa percentagem significativa de casos a perturbação é transitória podendo mesmo resolver-se sem qualquer intervenção. No entanto, há jovens e adultos que gaguejam e por isso surge a necessidade de uma intervenção atempada. O cerne da questão não depende tanto da espectacularidade do fenómeno mas antes da possibilidade de, com conhecimento fundamentado e domínio conceptual relativo ao entendimento do que é a disfluência infantil, poder fazer uma diferença. É preciso passar de um nível de análise e intervenção, centrado em questões de fala e do funcionamento do corpo, para outro relacionado com as consequências da aprendizagem da língua materna, e transitar da dificuldade de fluência para uma dificuldade de comunicação. Esta concepção permitirá considerar outros intervenientes para além dos habitualmente envolvidos no processo terapêutico e alargará as possibilidades de intervenção, principalmente numa lógica de prevenção. Aqui chegados e para continuar numa visão que se pretende consistente, vale a pena investir algum tempo na tentativa de revelar o que é visível numa situação de disfluência infantil e que paradoxalmente parece resistir a essa revelação.


Onde é que a emergência de Disfluência Infantil tem mais impacto?


Numa lógica de senso comum, é fácil responder: no indivíduo que a apresenta! Mas, porque ficam os pais/educadores/terapeutas e outros tão preocupados? É porque esta dificuldade não tem cura? É porque se alguém gaguejar terá sempre dificuldades no futuro?


Em termos de apoio, perguntam os terapeutas: - Esta criança é daquelas em que a dificuldade se resolve ou ficará a gaguejar? E se eu falho na intervenção? Mas isto pode mesmo resolver-se sem se fazer nada? Mas como podem os pais ficar sem fazer nada face às dificuldades dos filhos? Afinal, quem é que tem o problema?
A disfluência infantil só pode entender-se efectivamente e numa lógica de bom senso, se for considerada como um fenómeno que afecta a comunicação entre a criança disfluente e os seus interlocutores e não meramente uma perturbação da fluência da fala.

 


O entendimento do que é a comunicação humana, neste caso, passa por um enquadramento conceptual muito mais vasto do que aquele que é permitido pela metáfora das telecomunicações dos anos 50. Esta concepção parece ser demasiado linear ao considerar, de forma demasiado estática, o emissor, o receptor, a mensagem, o canal, o ruído, etc. Se se pensar nesta visão clássica aplicada à disfluência infantil, ela emerge como uma dificuldade exclusiva do emissor e por isso a intervenção consistirá em”repará-lo”. Pensando numa definição mais contemporânea da comunicação humana e na sua aplicação à gaguez, ter-se-á de considerá-la de acordo com a metáfora da complexidade e por isso numa perspectiva muito mais alargada do que a da perturbação da fala. É fundamental, então, interligar toda a complexidade do processo de fala com a sua finalidade que é a comunicação interpessoal. Num episódio comunicativo, deve considerar-se o indivíduo numa interacção contínua e dinâmica entre aspectos ligados ao corpo, particularmente ao cérebro e à mente e depois visualizá-lo inserido numa situação comunicativa e num dado contexto, em relação com pelo menos outro indivíduo. Tudo isto se articula ainda com um processo de inclusão e participação na sociedade.


O cérebro, neste processo, é responsável pela responsividade ao contexto, ouvir e descodificar o que é dito e observar a face do parceiro comunicativo à procura de “cunhas” emocionais. Dele depende também a composição do que se vai dizer, a selecção, e sequenciação das palavras do léxico, planificar como dizê-las e desenhar a sequência de movimentos necessária para a sua produção através da fala. Controla ainda todos os movimentos do corpo necessários para falar: respiração, fonação, articulação, modulação do fluxo aéreo e pressão para a produção de sílabas com prosódia adequada. Ao mesmo tempo, ainda vai controlando os sinais aferentes de erro. Até aqui, e genericamente, não se revelou nada de novo. Habitualmente, não se fala em mente quando se aborda a comunicação humana embora a consciência de si, relativa a quem comunica, seja essencial neste processo. A mente, nesta dimensão comunicativa, modula o cérebro e o corpo para responder a factores internos e contextuais como: temperamento, estado de espírito, nível de consciência, ansiedade, nível de fadiga, capacidade cognitiva, e outros, articulando-os com a análise que permite também fazer, do estado de consciência do interlocutor e da situação contextual em que ocorre, o episódio comunicativo.


Numa lógica de linguística funcional, o contexto e a situação comunicativa condicionam a escolha das palavras, como elas se organizam sintacticamente e como se dizem - dimensão pragmática. A forma como se usa a língua varia com o contexto: dependendo de com quem se fala (um amigo, o chefe, uma criança, num grupo, e outros), o propósito da conversa (conversa banal, responder numa aula, liderar uma brincadeira, obter uma informação, dar ordens, fazer perguntas, pedir desculpas) e o modo (ao telefone, face a face, etc.). O fenómeno comunicativo é também condicionado pelo contexto. Há diferenças significativas consoante se estabeleça a comunicação em casa, num escritório ou na rua com ruídos, numa festa, numa reunião de trabalho, etc. Para além da influência destes aspectos relativos ao conteúdo da mensagem e à situação contextual, interessa ainda considerar a sua interacção com a sua concretização, através da fala, nomeadamente: variações de intensidade, entoação, ritmo articulatório e tamanho do enunciado. Há interacções permanentes entre todos estes sistemas e o contexto social que se influenciam mutuamente. A mudança constante de situação comunicativa e a maravilhosa natureza criativa da língua falada ocorrem numa situação de equilíbrio precário, oscilando entre a organização e o caos típicos de um modelo de complexidade. É neste processo dinâmico situado entre ordem e desordem que cada ser humano se pode auto-organizar para responder à imprevisibilidade inerente à comunicação verbal.


Voltando à disfluência infantil e considerando-a como uma desarmonia na fluência, a mesma situar-se-á, eventualmente a partir de uma inconsistência no desenvolvimento, relativa a qualquer um dos aspectos considerados previamente, cruzada com o impacto que a mesma tem numa situação comunicativa, num dado contexto. Tratar-se-á assim de um fenómeno que está para além do corpo, apesar de expresso em falhas da fala. É importante considerar que o desenvolvimento da criança vai ocorrendo na aprendizagem de competências a nível cognitivo, afectivo, linguístico, motor e social dependendo de determinantes biológicas activadas através do ensino/aprendizagem veiculadas pelos adultos. Estes, de forma implícita, submetem a criança a exigências, num desnível ligeiramente acima das capacidades que elas detêm. Geralmente, este processo decorre sem sobressaltos, mas se houver disfluência como reagem os interlocutores? Como vivem a situação comunicativa quando há rupturas de fluência?


Estas rupturas têm principalmente impacto nos mediadores da eficácia comunicativa, todos de carácter não verbal, nomeadamente na falta de contacto ocular, tensão facial e presença de movimentos anómalos ou descoordenados. Em termos gerais, os interlocutores tendem a achar que as pessoas que gaguejam têm problemas emocionais, ficam sem saber como reagir perante as mesmas e têm dúvidas quanto às suas capacidades cognitivas, com eventuais repercussões nas expectativas relativas ao desempenho escolar. Têm ainda dificuldade em manter o contacto ocular quando alguém gagueja, tendem a não respeitar os turnos de conversação dizendo a palavra “difícil” pelos outros, interromper quando há algum bloqueio, mostrar preocupação (pena) e dificuldade em focar a atenção no que é dito. A mensagem pode estar bem construída linguisticamente mas a presença destas alterações distrai os interlocutores e afecta decisivamente a eficácia na compreensão da mensagem. Se se pensar nesta situação vivida por uma criança e pelos seus pais, com toda a tensão emocional subjacente, surge uma mistura explosiva que interessa ter em conta na análise da situação e na definição do programa terapêutico. Sendo assim, parece ser óbvia a necessidade de considerar, em termos de intervenção terapêutica, como objectivo, atingir uma comunicação mais efectiva em vez de uma fala fluida. Por um lado, uma criança confrontada com os diversos desafios do desenvolvimento e da participação social e por outro os interlocutores sem saberem efectivamente como lidar com a situação. No fundo, é importante perceber que comunicar é um processo mais vasto do que ser fluente.

 


Atendendo à previsibilidade das reacções dos interlocutores, as orientações clássicas face a esta dificuldade são:


- Manter um contacto ocular natural durante os momentos de gaguez;

- Esperar de forma natural e paciente que a criança acabe;

- Não acabar frases ou dizer palavras em vez dela;

- Deixar a criança perceber, pelos comportamentos e acções, que ouvem o que diz e não a forma como diz;

- Tentar não mostrar desconforto, empatia ou piedade por alguém que gagueja.


Dada a natureza desta perturbação comunicativa é fácil perceber que ninguém reage de acordo com as orientações referidas e portanto este tipo de soluções acaba por tornar-se parte do problema. Para além das dificuldades que os interlocutores sentem, também as pessoas que gaguejam e principalmente as crianças, têm dificuldade em distinguir o que é uma reacção natural face à surpresa de um modo diferente de comunicar, de uma atitude de rudeza ou má educação. Parece então tornar-se mais claro que, numa lógica de bom senso, é fundamental a inclusão dos parceiros comunicativos principais (pais, familiares, educadores, professores) no processo terapêutico, tanto para perceberem conceptualmente o fenómeno - disfluência infantil, como para se poder conduzir a acção terapêutica numa lógica de adaptação comunicativa a uma nova realidade. Mais do que propriamente visualizar ou obter uma boa performance da criança em termos de fluência. Este caminho favorece também a possibilidade de prevenção da gaguez.


Se prevenir é antecipar e se só se pode antecipar o que se conhece, então é necessário dar a conhecer este fenómeno e ensinar/treinar activamente as formas de lidar com a situação para melhor se lhe atenuarem as consequências.

V JORNADAS SOBRE GAGUEZ

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V JORNADAS SOBRE GAGUEZ

“O DIREITO À GAGUEZ”

Data: 22 de Outubro de 2011 – Sábado

Local: Coimbra – Auditório do ISCAC - COIMBRA

Horário: 09h15 às 13h15 e das 14h30 às 17h00

Realizadas quatro edições das Jornadas sobre Gaguez cheias de êxito, a Associação Portuguesa de Gagos, com o apoio do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, vai organizar as 5 ª Jornadas coincidentes com o Dia Internacional da Gaguez que se celebra a 22 de Outubro.

As Jornadas de 2011 terão como mote a afirmação do direito à gaguez. Nesta lógica do direito à gaguez, a afirmação pública da dificuldade por parte dos gagos e o reconhecimento institucional da gaguez e dos direitos das pessoas que gaguejam, ou pelo menos da sua não discriminação por parte das entidades oficiais, são passos decisivos e complementares para ajudar a viver com a gaguez.

A gaguez é uma “dificuldade” com muitas formas de intervenção, igualmente válidas mas igualmente frágeis. Vencer o problema passa, entre outras coisas por assumi-lo sem complexos.

A gaguez é uma perturbação da fala afectando cerca de 1% da população portuguesa, que, na sua maioria se isola, se feche em si própria, não procurando apoio, o que agudiza o problema. Embora (infelizmente) não seja considerada uma doença, a gaguez, quando não controlada, afecta profundamente a qualidade de vida das pessoas.

Por isso, a maior riqueza e o pioneirismo destas Jornadas é pôr os gagos a falar, a testemunhar e a partilhar as suas vivências/dificuldades, limitações, êxitos, formas e estratégias de ultrapassar o problema, quer com outros gagos quer com Terapeutas da Fala e outros Técnicos. Pessoas que sofreram e sofrem dia a dia com a gaguez isolando-se, pessoas que conseguiram “dar a volta por cima”, viver saudavelmente com o problema, sem às vezes saber bem como, e pessoas que deixaram de estar isoladas, que passaram por processos de intervenção terapêutica e, dessa forma vivem a vida de outro modo.

Infelizmente em Portugal são poucos os organismos de ajuda aos gagos para processos terapêuticos de ajuda a ultrapassar o problema, a ter uma vida social tão activa como das outras pessoas e a ter uma auto - estima um pouco mais elevada.

A missão da Associação Portuguesa de Gagos, activa desde 2005 e organizadora das Jornadas, como definida nos seus estatutos procura colmatar esta lacuna, ao pretender a “representação e defesa dos direitos e dos interesses das pessoas que gaguejam, bem como o apoio e divulgação de medidas preventivas e terapêuticas, prosseguindo prioritariamente objectivos de natureza social, cultural e reivindicativa conducentes à promoção e integração na sociedade”.

Junte-se a nós nestas Jornadas práticas e únicas em Portugal sobre a Gaguez!

Objectivos:

- Espaço de partilha e de vivências de pessoas que sentem e vivem o problema de gaguez no dia-a-dia;

- Reflectir o direito à gaguez, na linha da afirmação pública da dificuldade por parte dos gagos e do reconhecimento institucional da gaguez e dos direitos das pessoas que gaguejam;

- Reflectir e discutir a terapêutica da gaguez;

- Espaço de reflexão e cruzamento multidisciplinar das terapias de ajuda/apoio à gaguez;

- Sensibilizar a sociedade em geral e os poderes públicos em particular para a necessidade de medidas de apoio às pessoas com gaguez.

Destinatários:

- Pessoas que gaguejam e seus familiares;

- Professores e outros Educadores;

- Técnicos, Estudantes e Professores da área Terapêutica (Terapia da Fala, Psicologia, Psiquiatria, Medicina);

- Escolas;

- Associações;

- Outros interessados no tema.

 


 

 

Programa:

09:15 - Recepção dos participantes

09:45 – Sessão de Abertura - intervenção de dirigente da APG

10:00 – 11:00 – Conferencia de Abertura – “la Desmedicalización de la tartamudez” por Cristóbal Loriente Zamora

Autor do livro “A Antropologia da Gaguez: etnografia e propostas”, no qual apresenta uma perspectiva nova na investigação do fenómeno da Gaguez: a antropológica. A perspectiva que normalmente preside o estudo da gaguez é a biomédica, que a vê como uma alteração ou disfunção da linguagem. Orientação que fracassa, na opinião do autor, porque os problemas da fala são um fenómeno complexo, que ultrapassa o poder explicativo das ciências biomédicas e, em particular da psicologia, medicina ou da terapia da fala. Zamora contrapõe com uma visão psicossocial defendendo que as pessoas com gaguez devem “sair cá para fora “numa lógica de afirmação identitária com base na diferença.

11:00 – 11:30 - Debate

11:30 - Coffee-break

12:00 – 13:15 – Mesa Redonda: A Gaguez: da negação à afirmação

Nesta sessão serão partilhados testemunhos e vivências de pessoas com gaguez que vivenciaram o processo de terapia da fala e passaram de uma situação de negação da dificuldade para a sua afirmação.

Intervenientes:
Daniel Neves da Costa
Luís Rocha
Ivo Soares
13:15- 14:30 – Almoço (oferecido pela organização)

14:30 – 15:45 – Mesa Redonda: A propósito do filme “O Discurso do Rei”

“O Discurso do Rei” conta a história verídica do Duque de York, príncipe gago e futuro Jorge VI de Inglaterra e de como este venceu a sua gaguez, ultrapassando as suas indecisões e limitações para se tornar rei de Inglaterra. O “Discurso do Rei” apresenta um argumento em que a generalidade dos gagos se revê, tanto pela magnífica forma como o filme revela o sofrimento silencioso e escondido de uma pessoa que gagueja, nas suas ansiedades e dificuldades, como pela forma como coloca uma dificuldade que tantas vezes marginaliza numa figura que personifica e incorpora o poder, um Rei. Como tal, este filme servirá de ponto de partida para uma discussão alargada sobre a Gaguez, os problemas a ela associados, estratégias de enfrentamento da dificuldade, entre outras.

Intervenientes:
Helena Germano: Terapeuta da Fala e Psicóloga
Daniel Neves da Costa: Sociólogo e Gago
José Carlos Domingues: Engenheiro Civil e Gago

15:45 – 17:00 – Mesa redonda: A gaguez e a investigação científica

Esta sessão procurará mostrar o panorama da investigação científica sobre a gaguez, apresentando pata tal alguma da investigação levada a cabo e procurando traçar potenciais novos rumos. Junta para tal investigadores de diversas áreas disciplinares que irão apresentar o trabalho por eles desenvolvido.

Intervenientes:

Modelo social de compreensão da gaguez

Cristobal Loriente Zamora

Gaguez adquirida por lesão

José Fonseca

(Laboratório de Estudos de Linguagem da Faculdade de Medicina de Lisboa)

Gaguez: em busca de um padrão prosódico e entoacional

Marisa Cruz

(Laboratório de Fonética da Universidade de Lisboa)

17:00 - Sessão de Encerramento

Inscrições

(inclui almoço, coffee-break e documentação)

Sócios da APG e familiares directos - 10 euros

Estudantes - 25 euros

Profissionais e outros interessados - 30 euros

Inscrições até 19 de Outubro, através de:

Email: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

No site da APG: http://www.gaguez-apg.com

Por fax: 239501472

Por carta:

V Jornadas sobre Gaguez

Apartado 24

3130-909 Soure

 

ISCAC

Quinta Agrícola - Bencanta

3040-316 Coimbra

ISCAC

COMO CHEGAR

http://www.iscac.pt/imagens/3pontos.pngDe carro

· Partindo do Porto (Norte) ou de Lisboa (Sul) utilizando a auto-estrada A1: deve sair em Coimbra-Sul/Alfarelos (a 100 km do Porto e 200 km de Lisboa) e seguir pelo IC2 em direcção a Coimbra. Antes de chegar a Coimbra, sair do IC2 na saída Bencanta- ISCAC e seguir as indicações “ISCAC”.

· Vindo de Vilar Formoso (fronteira Portugal/Espanha, perto de Salamanca): prosseguir na auto-estrada A25 até Aveiro (170 km desde a fronteira). Ao chegar à saída Aveiro-Norte sair para a auto-estrada A1 na direcção Sul (Lisboa). Na auto-estrada A1, sair em Coimbra-Sul/Alfarelos (50 km depois de Aveiro)e seguir pelo IC2 em direcção a Coimbra. Antes de chegar a Coimbra, sair do IC2 na saída Bencanta-ISCAC e seguir as indicações “ISCAC”.

Coordenadas GPS: N 42º 12' 34.63" | W 8º 27' 08.17"

Mistérios da Gaguez

Usando imagens do cérebro para desvendar os mistérios da gaguez

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Sobre a APG

A Associação Portuguesa de Gagos foi fundada em Agosto de 2005.

É uma associação de âmbito nacional com sede na freguesia de Alqueidão no  concelho da Figueira da Foz.

É desde 2011 membro da European League of Stuttering Associations.

Contactos

Associação Portuguesa de Gagos

adress Rua Principal, 78 Negrote, Alqueidão 3090-834 Figueira da Foz Portugal

phone 925 517 093

email gaguez@sapo.pt

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Dia Internacional de Consciencialização para a Gaguez

laco    22 de Outubro